sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

GT3, novos carros e Piquet - Por Reginaldo Leme

Show!!! Olhem a Matéria do Reginaldo Leme que saiu no Grande Prêmio - coluna Grand Prix - que ele escreve.

Ainda sem uma categoria de monoposto formadora de pilotos, o automobilismo brasileiro teve em 2007 mais um ano bastante competitivo da Stock Car e viu nascer uma nova categoria, que já tem campeonatos regulares em vários países europeus. A GT3, que leva para as pistas aqueles que são chamados de carros dos sonhos de todo o mundo, foi criada em 2006 e cresce tão rapidamente que a grande dificuldade é conseguir comprar um dos modelos de carros esporte homologados pela FIA. O Brasil, esse país de contrastes que se destaca no cenário mundial de esportes coletivos como o futebol e o vôlei, mas é capaz de criar gênios na arte individualista de pilotar carros de corrida, adotou a nova categoria com tal entusiasmo que, logo no segundo ano de disputa, o GT3 Brasil, agora em 2008, terá um número de carros no grid que supera qualquer previsão, até mesmo a de Stéphane Ratel, o criador da categoria.

Com campeonatos disputados na Itália, Inglaterra, Bélgica, França e Alemanha, além de um torneio europeu e planos de criação na Austrália e Estados Unidos, a fila de pretendentes a compra de carros no mundo inteiro é muito grande. Até o próprio Nelson Piquet, quando anunciou sua intenção de correr em 2008 com um Ford GT, teve que enfrentar a fila. Os modelos de carros homologados são: Ferrari F430, Lamborghini Gallardo, Maserati Gransport, Corvette Z06, Dodge Viper, Jaguar XKR, Aston Martin DBR-S9, Ascari K21R, Ford GT, Ford Mustang, Morgan, Audi R8 e o Porsche GT3 998. Em uma competição com tantos carros de marcas, motores, dimensões e pesos diferentes, o grande obstáculo era garantir o equilíbrio. A equiparação foi feita com base em testes práticos de pista. Tomou-se o Porsche como referência e os outros modelos tiveram de sofrer restrições ou evoluções. As restrições são bastante amplas, incluindo peso, altura em relação ao solo, válvulas limitadoras da entrada de ar, partes aerodinâmicas, barras estabilizadoras e até no tipo de pneus. Para isso, foi fundamental a participação da Michelin, que se comprometeu a fabricar pneus de diferentes medidas e compostos de borracha.

Além de garantir o equilíbrio mecânico, como na GT3 se corre em duplas, também os pilotos tiveram de ser classificados em quatro categorias: bronze, prata, ouro e platina (os que possuem a superlicença da FIA). Pilotos graduados com ouro ou platina só podem formar dupla com companheiros da categoria bronze. Um piloto prata, que já possui alguma experiência em competições, pode se juntar a outro que tenha no máximo a mesma graduação. Os da categoria bronze, com pouca ou nenhuma experiência, são os chamados “gentleman drivers”. Profissionais da Stock Car como Luciano Burti, Tarso Marques, Valdeno Brito, Átila Abreu e Alceu Feldmann, que foi vice-campeão no primeiro ano, já são nomes certos em 2008.

A primeira temporada brasileira só começou em agosto com 13 carros no grid e terminou com 16. Para 2008, duas marcas – Ferrari e Dodge Viper – já completaram a cota máxima de seis carros cada uma. Somadas aos Porsche (agora com o modelo 998, mais potente), Lamborghini, Ford GT e as Corvette vendidas no dia da corrida final em Interlagos, o grid pode chegar a 22 carros. E as duas corridas que encerram a temporada serão disputadas em Mendonza (Argentina) e Punta del Leste (Uruguai) já como embrião de um futuro campeonato sul-americano.

Reginaldo Leme
rleme@warmup.com.br

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